A Enfermagem Diante do Espelho: O Desafio da Consciência Coletiva na Era Digital
Não me contive. Preciso manifestar o que sinto e o que observo: a enfermagem vive hoje um dos períodos mais desafiadores de sua história. Se, por um lado, celebramos conquistas, por outro, enfrentamos um inimigo silencioso que cresce dentro de nossa própria casa: a despolitização e o individualismo.
Além da precarização das relações de trabalho, dos baixos salários e da sobrecarga exaustiva, enfrentamos uma crise de formação política e de consciência coletiva entre parte da juventude que ingressa na profissão. Os novos profissionais chegam ao mercado com amplo acesso à informação, mas com pouca formação crítica sobre direitos trabalhistas, organização sindical e a importância da luta coletiva.
A influência das redes sociais e o imediatismo digital têm contribuído para uma visão fragmentada da nossa categoria. É uma visão distante da realidade concreta dos plantões, das escalas pesadas e da responsabilidade real com o cuidado. No cotidiano dos serviços de saúde, observo a dificuldade de muitos em compreender hierarquias técnicas, protocolos e, principalmente, o valor da experiência profissional.
Questionar é legítimo e faz parte da construção do conhecimento. Mas deixo um alerta: questionar sem estudo, sem escuta e sem compromisso com o coletivo não é evolução; é um ato que enfraquece a profissão e fragiliza a nossa luta como um todo.
É fundamental afirmar: nenhuma conquista da enfermagem foi resultado de atalhos, vídeos curtos ou discursos prontos. Nosso Piso Salarial, a busca por uma jornada digna e condições adequadas de atuação são frutos de décadas de organização sindical, mobilização e enfrentamento. A despolitização da categoria só interessa àqueles que lucram com a precarização do nosso suor.
O sindicato tem um papel central neste momento histórico. Precisamos fortalecer a formação política da enfermagem, aproximar a juventude da luta e reafirmar que direitos não são favores. Estamos abertos ao diálogo, sim, mas sem abrir mão de princípios, da disciplina e do compromisso com a classe.
Os tempos são difíceis, mas a enfermagem sempre resistiu. Seguimos firmes na defesa da unidade e da consciência de classe. Não há futuro para nós sem organização coletiva.
Enfermagem unida é enfermagem forte. Proletários de todos os países, uni-vos!
Luciano Pinheiro Diretor do SATEMRJ








